Seis vereadores são candidatos nas eleições de outubro – processo pode influir na mesa diretora da Câmara para o biênio 2027/2028, e o futuro dos servidores está em jogo
Seis vereadores de Juiz de Fora são candidatos nas eleições de outubro. Antônio Aguiar (União), João do Joaninho (PSB), Laiz Perrut (PT), Roberta Lopes (PL), Sargento Mello Casal (PL) e Tiago Bonecão (eleito pelo PSD, hoje no Democrata) pretendem largar o mandato municipal pela metade e alçar voos mais altos, em direção à Câmara Federal (caso de Mello Casal) ou à Assembleia Legislativa (situação dos demais).
Toda essa movimentação político-eleitoral pode, e deve, influir em um processo muito importante, cerca de dois meses depois: a eleição da Mesa Diretora da Câmara Municipal de Juiz de Fora para o biênio 2027/2028, que tem que ocorrer, conforme o Regimento Interno da Casa, na primeira quinzena de dezembro.
Esse cronograma, de duas eleições seguidas, e a projeção para 2027/2028 acabam criando uma anomalia, pois caso os vereadores-candidatos tenham sucesso nas urnas eles estarão arrumando as malas para ir morar em Brasília ou Belo Horizonte e mesmo assim vão votar na nova direção do Legislativo Municipal – o justo seria que os suplentes dos possíveis vitoriosos pudessem escolher a Mesa Diretora, pois serão eles os comandados pelo colegiado vencedor (e, em tese, deveriam ter também o direito de se candidatar a cargos na Mesa Diretora, caso a eleição fosse em, por exemplo, fevereiro, quando os possíveis eleitos já estariam em outro destino).
Independente dessa falha no sistema, o SINSERPU-JF considera de suma importância a escolha da Mesa Diretora da Câmara, pois é nessa instância que podem ser acelerados ou atrasados assuntos de interesse do funcionalismo local. Veja a análise do Sindicato ao final do texto.
Na prática todos os 23 vereadores podem se candidatar no pleito de dezembro. A única restrição, parcial, é do atual presidente, José Márcio Garotinho (PDT), que não pode ser candidato à reeleição, mas pode pleitear qualquer outro cargo na Mesa Diretora.
Com esse amplo leque de opções, as especulações em torno de nomes, cargos e composições vão ganhar uma dimensão além do normal. As conversas, já iniciadas, porém, só devem ser concretizadas após as eleições gerais de outubro, quando os seis vereadores-candidatos estarão ou fora do jogo (caso eleitos à Câmara Federal ou à Assembleia), enfraquecidos pelo fracasso nas urnas ou buscando se “erguer”, caso “tenham que permanecer” no Legislativo Municipal.
Em tempo: os seis suplentes de olho nas eleições de outubro, na expectativa de “herdar” a vaga de vereador são Bejani Júnior (PSB), Carlos Meira (PL), Dandara (PT), Natalia Paleta (PL), Simone Anjos (União) e Yuri Fófano (PSD).
“O FUTURO DOS SERVIDORES ESTÁ EM JOGO”, ALERTA VICE-PRESIDENTE DO SINSERPU-JF SOBRE ATUAÇÃO DA CÂMARA E ELEIÇÃO DA MESA DIRETORA
Com base em análise institucional e registros oficiais do município de Juiz de Fora, o vice-presidente do SINSERPU-JF, Weber Wagner, fez um balanço contundente da atuação dos Poderes Legislativo e Executivo nos últimos anos, alertando para uma série de ofensivas contra os direitos dos trabalhadores municipais. Ele avaliou o cenário de forma cronológica, destacando o uso de “jabutis” legislativos, o desequilíbrio de forças entre os poderes e a postura de vereadores que, segundo sua análise, têm atuado contra o funcionalismo.
A seguir, os principais pontos da análise:
“O Executivo influencia o Legislativo de forma desproporcional”
Weber Wagner lembra que, embora a Câmara Municipal tenha o papel de criar leis e fiscalizar o Executivo, na prática há um desequilíbrio evidente. “O Executivo detém a força orçamentária e da máquina pública, influenciando em grande medida as ações do Legislativo”, afirmou. Ele citou como exemplo a tentativa recente de reforma administrativa disfarçada de reestruturação do plano de carreira, que só foi barrada após uma campanha massiva dos servidores.
“Jabutis e a crise no plano de saúde”
O dirigente sindical relembrou que, em 2021, durante a pandemia, foi aprovada uma lei que autorizava a contratação de operadoras de planos de saúde para gerir o plano dos servidores, sob a justificativa de “vantajosidade”. O projeto tramitou com pouca discussão e contou com o protagonismo de um vereador que, curiosamente, foi o único a se abster na votação final. “Estava instalado o Jabuti!”, disse, referindo-se à prática de inserir dispositivos estranhos ao objeto principal das leis.
Desde então, o plano de saúde entrou em crise administrativa, o que culminou na terceirização de sua operação. Ele também criticou a retirada de última hora de um aporte de R$ 30 mil pela atual Mesa Diretora, verba que poderia subsidiar as mensalidades de ao menos 60 servidores.
“Críticas diretas a vereadores da Mesa Diretora”
Weber Wagner voltou suas críticas a dois membros da atual Mesa Diretora (biênio 2025-2026): o 1º secretário e a 2ª secretária. Sobre a vereadora Letícia Delgado (PT), ele lembrou o Projeto de Lei nº 00045/2025, de autoria dela, que propõe o funcionamento de creches durante as férias escolares. “Ela propõe isso abstraindo-se do reconhecimento das mulheres trabalhadoras das creches a quem ela representa”, pontuou.
Já sobre o vereador João Wagner Antoniol (MDB), o vice-presidente do SINSERPU-JF afirmou: “Ele renovou suas investidas contra os direitos conquistados, dizendo que os servidores deveriam voltar a trabalhar na escala original”. E completou: “Isso aconteceu inclusive durante o período de calamidade, em que servidores perderam suas casas e alguns morreram em desabamentos, mas permaneceram ao lado da população”.
“Conquista histórica e retrocessos”
Apesar do cenário adverso, o vice-presidente do SINSERPU-JF reconheceu como positiva a conquista da redução da carga horária dos servidores. “É uma das maiores conquistas dos últimos 20 anos”, avaliou. No entanto, destacou que negociações salariais recentes foram prejudicadas pela inclusão de novos jabutis pelo Executivo. “A negociação foi conspurcada por vários jabutis inseridos pelo Executivo municipal, embora tenha sido defendida arduamente por muitos vereadores”, disse.
“As próximas eleições serão decisivas”
O dirigente sindical ressaltou que a manutenção e a ampliação dos direitos dos servidores dependem diretamente da composição da Mesa Diretora da Câmara. “A manutenção dos direitos e a conquista de novos direitos em muito depende do comprometimento e de um bom direcionamento da Mesa responsável pela Câmara”, afirmou.
Weber Wagner concluiu reafirmando a importância das eleições para o biênio 2027-2029: “Verificamos a importância das próximas eleições para a composição da Mesa Diretora da Câmara, que definirão os rumos futuros da relação entre o sindicato, os servidores e os poderes constituídos”.