Assembleia histórica da AMAC revela a força do protagonismo feminino na luta por direitos
Uma manifestação predominantemente feminina. Assim foi a mobilização histórica das servidoras e servidores da AMAC no pátio da Prefeitura de Juiz de Fora na manhã desta terça-feira, 9 de junho. A Assembleia Geral convocada pelo SINSERPU-JF reuniu centenas de servidoras e servidores, mas a cena mais marcante foi a força feminina ocupando cada centímetro daquele espaço — muitas delas com seus filhos pequenos. Poderia ser um mero detalhe, mas era um aviso: cuidar das crianças e lutar por direitos são atos indissociáveis.
Mulheres que trabalham em creches, no Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculo (SCFV)/Curumins, no Programa Gente em Primeiro Lugar, nas Casas de Passagem, na Casa de Acolhimento e na Abordagem Social paralisaram suas atividades para dizer, em alto e bom som, que quem cuida das crianças também precisa ter seus direitos garantidos pela gestão pública.
A categoria reivindica o reequilíbrio geral dos chamamentos, com retroatividade a janeiro de 2026 — uma correção justa e necessária. Mas há algo ainda mais grave: o esvaziamento de várias unidades do Curumim, causado por medidas administrativas da Prefeitura de Juiz de Fora. Como consequência, crianças e famílias estão sem o espaço de convivência, afeto, acolhimento e proteção — na prática, é a negação de que o cuidado importa.
Durante o ato no prédio da Prefeitura, uma comissão formada por sete pessoas foi recebida pela subsecretária de Governo e pelo assessor jurídico da PJF. Integravam a comitiva, além dos funcionários da AMAC, a presidenta Deise Medeiros, a vice Lucilea Pereira, a diretora Bernadete de Paula (Base) e o conselheiro fiscal Luiz Carlos Torres Junior, o “Kaizim”. A comissão solicitou reunião urgente com o secretário da Fazenda para tratar do reequilíbrio com retroativo a janeiro; do fechamento das unidades do Curumim e da falta de itens básicos nas creches — como alimentação e material pedagógico. Sem data definida para essas reuniões, a resposta foi rápida e direta: a luta não para. Por unanimidade, os manifestantes aprovaram a continuidade da paralisação.
Força feminina conduz movimento da AMAC
À frente da mobilização desta terça, duas mulheres: Deise Medeiros, presidenta do SINSERPU-JF, e Lucilea Pereira, vice-presidenta do sindicato. Ao microfone, com o povo unido sob aplausos, elas explicaram cada ponto da pauta e escancararam a negligência do Executivo Municipal. “Eles querem desgastar o movimento, mas nós não vamos ceder”, disparou Lucilea. “Não vai haver creche ou atendimento na Casa de Passagem, nem ações das equipes de abordagem enquanto os direitos dos servidores da AMAC continuarem sendo negados”, completou Deise Medeiros.
Os manifestantes seguiram em passeata pela Avenida Francisco Bernardino até a Praça Deputado Clodesmidt Riani — a antiga Praça do Riachuelo. Com cartazes e vozes erguidas, a categoria percorreu o Centro da cidade para mostrar à população o que estão enfrentando os profissionais que atuam nas áreas de berçário, educação infantil e assistência básica. Carregaram faixas, com dizeres como “CURUMIM ESVAZIADO É CONSEQUÊNCIA DAS MUDANÇAS IMPOSTAS PELA PJF! TRABALHADOR NÃO PODE SER PENALIZADO!” ou “PREFEITURA, VALORIZAR A AMAC É RESPEITAR A POPULAÇÃO! QUEM CUIDA DE JUIZ DE FORA MERECE DIGNIDADE”.
Com o movimento nas ruas, as mulheres provaram que a batalha por uma sociedade mais justa não está apenas na capacidade de gestar, criar e proteger. As trabalhadoras, ao levarem seus filhos para a luta, mostraram que defender dignidade no serviço público e defender a infância são a mesma coisa. E, nesta quarta-feira, dia 10 de junho, a partir das 9h, os servidores e servidoras da AMAC voltam a se manifestar no pátio da Prefeitura. Quem esteve hoje viu: não dá mais para esperar. O momento de luta é agora. E a união — tecida por mãos femininas, fortalecida por vozes que não se calam — é a única arma para garantir o que é essencial.
SINSERPU-JF se reúne com AMAC e endossa posição
Na tarde desta terça-feira, o SINSERPU-JF se reuniu com a direção da AMAC, que informou que a secretária de Educação propôs uma reunião para a quarta-feira da próxima semana, dia 17 de junho. A presidenta do SINSERPU-JF comunicou que toda decisão da categoria é deliberada em Assembleia e que amanhã haverá uma nova mobilização com paralisação. “A gente permanece com a paralisação. Não iremos recuar. Não existe marcha a ré. Enquanto o município não marcar oficialmente uma reunião com a AMAC e as demais OSCs (Organização da Sociedade Civil), com a presença do sindicato, vamos continuar com as paralisações”, frisou Deise, ressaltando que já foi enviado um ofício para a Prefeitura e para a AMAC, comunicando a manutenção da paralisação e a solicitação de agendamento da reunião, enquanto não houver uma data confirmada, a categoria não retornará a suas funções.