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08/05/2026

Após 4 dias de paralisação, SINSERPU-JF impõe a primeira grande derrota da Prefeitura na Câmara Municipal

Foram quatro dias de intensa mobilização dos servidores públicos municipais de Juiz de Fora. Paralisações, assembleias permanentes, atos públicos em frente à Prefeitura e pressão institucional organizada pelo SINSERPU-JF transformaram o centro político da cidade em palco de uma das maiores demonstrações de força do funcionalismo municipal nos últimos anos.
Mesmo diante dos vetos impostos pela prefeita Margarida Salomão à Lei Complementar nº 295/2026 — vetos considerados pelos trabalhadores como um ataque direto aos direitos da categoria — o movimento cresceu diariamente. A postura do Executivo, marcada pelo desapego às pautas historicamente defendidas pelo próprio campo político e ideológico ao qual pertence a atual gestão, acabou exposta, segundo lideranças sindicais, na intransigência, na misoginia, no assédio velado e explícito e na ausência de diálogo demonstrada por integrantes do governo, especialmente pelo secretário de Governo.
A mobilização também ficou marcada pelo impedimento, por parte da Administração Municipal, da entrada do caminhão de som da CUT no pátio da Prefeitura. O episódio ganhou forte simbolismo político. A Central Única dos Trabalhadores, maior central sindical da América Latina e uma das principais organizações de defesa dos trabalhadores do Brasil desde sua fundação, em 1983, tornou-se alvo de uma tentativa de silenciamento justamente em um momento de ampliação da resistência dos servidores municipais.
Durante toda a semana, o sindicato protocolou ofícios, realizou assembleias no pátio da Prefeitura e pressionou institucionalmente o Legislativo para que os vetos fossem apreciados. A resposta veio nesta sexta-feira, 8 de maio, quando a Câmara Municipal realizou reunião extraordinária convocada após solicitação formal do SINSERPU-JF ao presidente da Casa, vereador José Márcio Garotinho.
O plenário da Câmara se tornou pequeno diante da dimensão da mobilização. Servidores, dirigentes sindicais, assessores parlamentares e representantes da base do governo se acotovelavam em um ambiente de intensa tensão política e social. Havia um evidente clima claustrofóbico no Legislativo, incapaz de comportar o tamanho da indignação dos trabalhadores e da pressão popular construída ao longo da semana. A cidade parece já não caber mais dentro do modelo político limitado e provinciano que insiste em reduzir os servidores — que também são povo — a meros espectadores das decisões sobre seus próprios direitos.
A movimentação dos servidores representa a primeira grande derrota política da Prefeitura de Juiz de Fora no Legislativo em seis anos de gestão e, ao mesmo tempo, uma importante vitória dos trabalhadores do serviço público municipal, ainda que dependa agora do cumprimento, por parte do Executivo, daquilo que foi consolidado pela Câmara Municipal na manhã do dia 08 de maio de 2026.
Com a presença de 20 dos 23 vereadores, foram derrubados todos os vetos apresentados pela prefeita contra direitos legitimamente aprovados em assembleia da categoria junto ao sindicato.
A Câmara também confirmou o novo valor do ticket alimentação nos termos enviados originalmente pela própria Prefeitura: R$ 600 para servidores com remuneração de até R$ 5.293,91 e R$ 300 para os demais servidores.
Mais do que uma disputa sobre índices e benefícios, a votação desta sexta-feira consolidou um recado político dado pelos trabalhadores nas ruas e reafirmado dentro do Parlamento: nenhuma decisão que afete salários, direitos ou condições de trabalho dos servidores municipais pode ser construída sem diálogo prévio com suas entidades representativas.
A luta do SINSERPU-JF agora se volta para que a Prefeitura cumpra integralmente a decisão aprovada pela Câmara Municipal após a derrubada dos vetos, respeitando a vontade soberana do Legislativo e a legitimidade da mobilização construída pelos trabalhadores.
A presidenta do sindicato, Deise Medeiros, destacou que a categoria demonstrou sua capacidade de resistência, organização e unidade. Segundo ela, a semana consolidou uma mensagem política inequívoca: mexer com o servidor municipal é mexer com a cidade. Uma cidade que há muito já ultrapassou a lógica dos “conta-gotas” de concessões políticas que tentam mantê-la aprisionada a práticas ultrapassadas, distantes da participação popular e da valorização real do serviço público.

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