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Série especial
27/03/2026

Série Especial “A Cidade Invisível”, Episódio 10 : O Ciclo que Precisa ser Rompido

“O sistema sabia e, não obstante, produziu uma cidade em calamidade, não por ignorância, mas pela persistência de uma arquitetura institucional calibrada para administrar o risco e não para eliminá-lo.”
Esta frase do artigo de Albertoni sintetiza cinco décadas de história que documentamos nesta série. Desde os anos 1970, quando a Zona Norte foi ocupada sem planejamento; passando pelos anos 1980, com as remoções violentas da Vila da Prata e do Clube Hípico; chegando aos anos 1990, com 15 mil famílias na fila da moradia; e finalmente aos anos 2000, com o Plano Diretor que nunca saiu do papel.
Em cada momento, o poder público soube. Em cada momento, havia alertas. Em cada momento, os pobres foram empurrados para as áreas de risco. Em cada momento, a chuva matou.
O ciclo mortal
O artigo descreve com precisão o ciclo que se repete:
1. Impacto imediato — cobertura dramática, comoção nacional
2. Mobilização emergencial — doações, voluntariado, promessas
3. Balanço dos danos — números de mortos e desabrigados
4. Compromissos de obras preventivas — anúncios, solenidades
5. Execução insuficiente — recursos travados, burocracia
6. Normalização gradual — esquecimento, próxima chuva
Juiz de Fora viveu esse ciclo inúmeras vezes. Eventos análogos em décadas anteriores, no mesmo território, com o mesmo mecanismo físico, atingindo populações posicionadas nas mesmas zonas de risco. Uma série histórica que invalida qualquer narrativa de imprevisibilidade.
O que muda agora?
A diferença, talvez, esteja na organização dos trabalhadores. O SINSERPU-JF, junto com mais de 15 entidades, entregou ao governo federal uma pauta concreta de reivindicações. Não pedimos apenas doações. Pedimos:
· Participação no controle social dos recursos da reconstrução
· Investimento massivo em moradia popular em áreas seguras
· Fim das remoções sem garantia de moradia digna
· Valorização dos servidores da defesa civil, assistência social e limpeza urbana
· Transparência na execução orçamentária do PAC e dos recursos estaduais
A cidade que queremos
A tragédia de 2026 nos obriga a romper o ciclo. Não podemos aceitar que, daqui a dez ou vinte anos, um novo artigo seja escrito documentando o mesmo padrão. Não podemos aceitar que nossos filhos e netos sejam as vítimas da próxima chuva.
A arquitetura da vulnerabilidade tem nome, tem endereço, tem orçamento. Desmontá-la é tarefa política. E o SINSERPU-JF está na linha de frente dessa luta.
O sindicato conclama a categoria e toda a população: a reconstrução de Juiz de Fora precisa ser feita com os pés no chão e os olhos na história. Não aceitaremos promessas vazias. Não aceitaremos obras de fachada. Não aceitaremos que os pobres continuem morrendo enquanto o mercado imobiliário lucra.
Notas:
1) Esta série especial, que se encerra hoje, é uma produção do SINSERPU-JF baseada na análise do documento acadêmico “Crescimento a Custo da Favelização” , de Ellen Rodrigues e Luiza Cunha Lenzi, e do artigo “A Arquitetura da Vulnerabilidade” , de Ramsés Albertoni, publicado no Observatório da Imprensa em 13 de março de 2026.
2) Os dados sobre recursos do PAC, alertas do CEMADEN, população em área de risco e cortes orçamentários foram extraídos do referido artigo e confirmam, com precisão documental, a tese central que defendemos: a tragédia de Juiz de Fora não é natural — é política.
3) Todos os nove episódios anteriores da série estão disponíveis neste canal.
O SINSERPU-JF reafirma seu compromisso com a luta por moradia digna, por valorização do serviço público e por uma cidade que inclua todos os seus habitantes — não apenas no discurso, mas no direito concreto ao teto, à infraestrutura e à segurança.
SINSERPU-JF: Em defesa da vida, do serviço público e da moradia digna.

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