“A circulação acelerada de imagens de impacto emocional sem enquadramento analítico tende a reforçar a naturalização da tragédia.”
O artigo do Observatório da Imprensa faz uma crítica duríssima ao papel do jornalismo na cobertura de desastres. E essa crítica precisa ser assumida também pelos movimentos sociais e sindicatos que se comunicam com a população.
As imagens de deslizamentos, corpos soterrados, famílias desabrigadas e crianças órfãs comovem. E devem comover. A comoção é necessária — ela mobiliza solidariedade, doações, voluntariado. Mas a comoção não produz, por si só, as condições para que o desastre seguinte não aconteça.
O que produz é a inteligibilidade estrutural. É a pergunta sobre os orçamentos não executados. É a investigação sobre os planos diretores descumpridos. É o acompanhamento da execução do PAC como rotina, não como revelação pós-tragédia.
As mídias sociais e o risco da despolitização
Os vídeos produzidos por moradores durante a tragédia cumpriram funções essenciais: documentaram a simultaneidade dos eventos, identificaram pontos críticos, mobilizaram ajuda em tempo real. Mas esses vídeos, desacompanhados de enquadramento estrutural, funcionaram predominantemente como amplificadores de comoção, não de responsabilização.
A diferença é crucial. A comoção clama por ajuda. A responsabilização clama por justiça. A comoção enche caminhões de doação. A responsabilização enche tribunais de processos. A comoção é sazonal — vem com a chuva e vai com o sol. A responsabilização é permanente — ou deveria ser.
O SINSERPU-JF convoca a imprensa e os comunicadores populares: é hora de virar a chave. Não bastam imagens dramáticas. É preciso investigar a estrutura. É preciso nomear os responsáveis. É preciso transformar o luto em luta.
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Obs. 1) o artigo publicado no Observatório da Imprensa citado é de autoria de Ramsés Albertoni
2) Os oito primeiros episódios da série estão disponíveis neste canal
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