Nota de Pesar
O SINSERPU-JF recebe com profunda tristeza a notícia do falecimento do professor, sindicalista e eterno companheiro de lutas, Flávio Bitarello, ocorrido na manhã desta terça-feira (24).
Bitarello nos deixou aos 72 anos, vítima de um infarto fulminante, mas seu legado de resistência permanece vivo. Sua voz, que ecoou com firmeza tanto nas salas de aula das redes pública e privada quanto nas ruas, foi uma bússola para o movimento sindical e uma inspiração para gerações de militantes em Juiz de Fora.
Um legado em defesa da classe trabalhadora
Sua partida deixa uma lacuna imensa na defesa da educação pública de qualidade e na proteção dos direitos trabalhistas. Flávio não foi apenas um docente; foi um escudo para a categoria dos professores e um exemplo de dedicação à justiça social.
O velório de Flávio Bitarello ocorre na Capela 1 do Parque da Saudade; o enterro será realizado amanhã, quarta-feira (25), às 16h30.
Neste momento de dor, expressamos nossa solidariedade aos familiares, amigos e a todos os companheiros que dividiram trincheiras com esse grande mestre.
Flávio Bitarello: Presente, hoje e sempre!


NENHUM A MENOS SEMPRE FOI UMA ASPIRAÇÃO DOS QUE LUTAM
Há muito, em um tempo quase imemorial, um repórter foi cobrir uma assembleia dos professores municipais. Como os trabalhadores estavam em pé de guerra com a Prefeitura, era bastante importante mostrar força, que a reunião lotasse as dependências da Sociedade de Medicina, na Braz Bernadinho. O jornalista, por preguiça ou por estar apressado, com outras tarefas em pauta, conferiu o número de presentes pela lista de assinaturas e deu essa informação – errada, pois eram muitos mais os sentados nas cadeiras, alheios ao documento protocolar.
Não tardou e vieram justas reclamações do Sindicato, puxadas por Flávio Bitarello, que argumentou com uma firmeza inabalável: “não pode sair na imprensa nenhum a menos do que realmente somos”.
Ao nenhum a menos se juntou, anos depois, “o ninguém solta a mão de ninguém” como outro dos mantras da esquerda, que Flávio Bitarello, um homem de esquerda, também viveu, antes de adotar – e por conta dessa vivência foi um elo natural desta corrente.
Amanhã vai sair na imprensa que, agora, temos um a menos – informação errada como a daquela época. Vai fazer muita falta a presença de Flávio nas manifestações e nas lutas (seja por direitos para os professores, dignidade para os trabalhadores brasileiros ou protestando contra a invasão da Venezuela – a última vez que o vi), mas justamente por estar sempre presente assim permanecerá, pois nenhum a menos sempre foi a aspiração, e a necessidade, dos que lutam.
(Ailton Alves – Jornalista do SINSERPU-JF)