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SÉRIE ESPECIAL episódio
18/03/2026

Série Especial “A Cidade Invisível”, Episódio 3: Remover, nunca solucionar – A Política da Expulsão

Se existiu alguma política habitacional em Juiz de Fora ao longo do século XX, ela teve um nome: remoção. O documento analisado mostra que, sempre que as favelas incomodavam as elites, a solução encontrada era simplesmente expulsar os pobres.
O caso da Vila da Prata
Na década de 1970, a Vila da Prata, localizada entre os bairros Aeroporto e Teixeiras, foi completamente removida. O motivo? “Não era conveniente esteticamente para a administração local a existência de uma favela logo na entrada da cidade” .
As famílias foram jogadas em bairros distantes como Santa Efigênia e Santo Antônio, sem qualquer infraestrutura ou política de acolhimento. No lugar da comunidade, construiu-se o Parque da Lajinha — um espaço de lazer para as classes médias e altas.
A Operação-Gente e o Clube Hípico
Nos anos 1980, a chamada “Operação-Gente”, sob o lema da “humanização da cidade”, promoveu remoções ainda mais violentas. Moradores de uma favela no bairro Ladeira foram transferidos para os estábulos do Clube Hípico. Sim, famílias inteiras foram obrigadas a viver em antigos currais de cavalos, em condições degradantes e humilhantes.
O documento registra que essas famílias passaram “toda sorte de necessidades, sem contar com políticas públicas efetivas que lhes garantissem autonomia e desenvolvimento” .
O padrão histórico
O que une a Vila da Prata, o Clube Hípico e as remoções do São Mateus? O mesmo padrão: nunca se construiu moradia digna para substituir o que foi tirado. As pessoas eram simplesmente empurradas para mais longe, para áreas ainda mais precárias e perigosas.
Em 2026, quando as encostas desabaram e os rios transbordaram, quem morria eram os herdeiros dessa política de remoção. Quem morria era a população que nunca teve direito à cidade.
O SINSERPU-JF exige: chega de remoções. Chega de empurrar os pobres para áreas de risco. A reconstrução de Juiz de Fora precisa começar pelo reconhecimento de que moradia digna é direito, não mercadoria.
……….
OBS.: A) A série “A Cidade Invisível” tem como objetivo trazer uma reflexão aprofundada sobre as estruturas urbanas de Juiz de Fora a partir de análises e levantamentos diversos, que vão desde o documento acadêmico “Crescimento a Custo da Favelização”, de Ellen Rodrigues e Luiza Cunha Lenzi, até os dados oficiais sobre a calamidade pública que atingiu o município em fevereiro deste ano.
B) Os episódios 1, “O Direito Negado – A Origem da Crise”, e 2, “A Farra dos Loteamentos Clandestinos e a ausência do Estado”, estão disponíveis neste canal.

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