SINSERPU-JF participa de reunião histórica sobre a reconstrução da cidade
O SINSERPU-JF esteve presente nesta terça-feira, 17 de março, no Teatro Paschoal Carlos Magno, no evento que reuniu autoridades, representantes de instituições de ensino e voluntários para debater as ações de enfrentamento à crise climática e a reconstrução de Juiz de Fora. Passadas mais de três semanas das fortes chuvas que atingiram a cidade, o encontro buscou traçar um planejamento amplo e integrado para a recuperação urbana e social do município, com ênfase na situação habitacional e na mobilização coletiva para superar os danos.
A prefeita Margarida abriu os trabalhos contextualizando os desafios históricos da cidade e apresentando um panorama detalhado da situação. Em seu relato, destacou que o desastre não ocorreu por falta de diagnóstico — a cidade possui um meticuloso mapeamento de risco, fruto de décadas de trabalho. No entanto, a mudança climática surge como novo e agravante elemento. A prefeita anunciou, ainda, aumento do quadro da Defesa Civil em 55%, medida que o SINSERPU-JF avalia como fundamental, mas que exige atenção redobrada quanto às condições de trabalho e valorização dos profissionais que atuarão na linha de frente.
Números oficiais apresentados:
– 502 toneladas de donativos recebidos
– 457 (156 famílias) pessoas em acolhimento (apartamentos/hotéis)
– 4.225 vistorias realizadas pela Defesa Civil
– 1.155 vistorias pendentes
– 90 vias limpas e lavadas
– 25 vias interditadas
– 79 escolas municipais funcionando plenamente
– 5 escolas a serem reconstruídas
– 1.600 crianças sem aula
– 25.000 crianças com aulas retomadas 25.000
Já o promotor de Meio Ambiente e Urbanismo, Alex Fernandes Santiago, destacou uma preocupação grave que ecoou entre os presentes: o descumprimento de ordens de interdição e evacuação. Ele criticou duramente lideranças políticas locais que estariam estimulando a população a retornar a áreas de risco. “O desastre ainda não terminou. O retorno precoce pode levar a novas mortes”, alertou o promotor, que elogiou o trabalho do Gabinete de Crise, com reuniões quase diárias envolvendo cerca de 30 instituições.
O presidente da Câmara, José Márcio Garotinho (PDT), observou que, após a fase inicial de remoção de entulhos, a cidade enfrenta agora o desafio da reconstrução. Ele citou dados da Prefeitura que revelam quase duas mil moradias destruídas na tragédia e cerca de 12 mil famílias que permanecem desalojadas. Ele ressaltou, ainda, que esse cenário aponta para a necessidade de soluções estruturais como drenagem, recomposição de vias e, principalmente, moradia popular em áreas seguras. Representantes da UFJF e do IF Sudeste também falaram, reforçando o papel ativo das instituições de ensino no apoio à população e na articulação de projetos técnicos e de extensão nas áreas de engenharia, urbanismo e assistência social.
A prefeita Margarida Salomão destacou a importância da união de esforços e repudiou qualquer tentativa de uso político da tragédia: “Fazer política com a desgraça é uma postura vil”. Ela também informou que recursos federais já estão chegando ao município, inclusive do PAC e de acordos ambientais, para auxiliar na prevenção e reconstrução, e anunciou a criação de grupos de trabalho focados em moradia e ações técnicas, com colaboração de especialistas das universidades. O SINSERPU-JF, presente à reunião, reforça seu compromisso em apoiar todas as ações voltadas para a reconstrução da cidade e ressalta o papel essencial dos servidores municipais nesse cenário, que atuam diariamente na linha de frente para garantir os serviços públicos e a recuperação da cidade.