Servidores usuários do PAS-JF aprovam série de propostas para um novo modelo de gestão do Plano
Os servidores usuários do PAS-JF aprovaram, em Assembleia na tarde/noite desta terça-feira (9 de dezembro), uma série de propostas para um novo modelo de gestão do Plano, que vive uma crise sem precedentes. São elas:
1) Que as mantenedoras do Plano, PJF à frente, arquem integralmente com a dívida atual do PAS-JF, estimada em em cerca de R$ 20 milhões, sem qualquer penalização ou repasse aos usuários;
2) Que se aumente o aporte mensal das mantenedoras, dos atuais R$ 450 mil para R$ 1,4 milhão;
3) Que o Plano continue sendo de autogestão, conforme foi concebido;
4) Que o GT (Grupo de Trabalho) que estuda o tema faça “exercícios” para checar as vantagens ou não de ser submetido à ANS (Agência Nacional de Saúde);
5) Que se estude o princípio da equalização, ou aproximação, das mensalidades entre titular e cônjuge/parente;
6) Que a Prefeitura de Juiz de Fora apresente publicamente e trimestralmente as contas do Plano;
7) Que seja disponibilizado aos titulares do Plano e filiados aos sindicatos os cálculos e exercícios feitos pelo GT a respeito do Plano – desde que o interessado compareça à sede do seu sindicato;
oito) Que se faça exercícios de sustentabilidade do Plano, caso as mensalidades passem a ser cobradas a taxa linear de 8% sobre o salário bruto – comparando com exercício similar, mas em cima da faixa etária;
As propostas aprovadas agora serão levadas aos gestores na próxima reunião do GT. Antes, porém, acontece o Ato Público desta quinta-feira (11 de dezembro), às 17h, na Praça da Estação, para “manter a mobilização e a vigília” em torno do PAS-JF – com paralisação das atividades na parte da tarde.
Conversas, com o único intuito de salvar o PAS-JF, estão sendo feitas desde junho, quando uma histórica Assembleia (realizada no Ritz, mesmo local do encontro de hoje) rechaçou qualquer possibilidade de privatização do Plano e praticamente obrigou a Prefeitura a criar o GT, com a participação de sindicalistas – Pelo SINSERPU-JF, o vice-presidente Weber Wagner e a servidora Saionara Apolinário. Esta “Mesa de negociações” se reuniu periodicamente desde então, e mesmo com poucos dados disponibilizados pela PJF, consegui elaborar um diagnóstico sobre o Plano.
Parte deste trabalho foi apresentado na Assembleia, com ideias originais e totalmente benéficas para o servidor. Dois bons Exemplos: Do R$ 1,4 milhão previsto como novo aporte, R$ 400 mil seriam usados para subsidiar (diminuir) a mensalidade do trabalhador de menor renda; Os usuários só arcarão com 33% dos futuros reajustes – o resto, 2/3 da conta, ficaria a cargo das mantenedoras.
“É um bom trabalho preliminar, mas precisamos negociar mais, pensando em quem ganha menos e nos de idade mais avançada. E o mais importante: manter o plano saudável, E acima de tudo, com união”, afirmou a presidenta do SINSERPU-JF, Deise Medeiros. “Temos que oxigenar o Plano, trazer mais gente”, completou Weber Wagner, responsável pela exibição de gráficos que explicam a matemática, a estrutura e os gargalos do PAS-JF.
Protagonismo
Em duas ocasiões recentes, o SINSERPU-JF se colocou na vanguarda da defesa do PAS-JF, mesmo diante das irregularidades e dos inúmeros contratempos, por entender que o Plano é uma conquista histórica dos servidores e viável, se reestruturado. Essa ideia foi defendida em Assembleia Extraordinária no Sindicato, no dia 17 de novembro, e na Audiência Pública da Câmara Municipal, no dia seguinte.
Na Assembleia de hoje, convocada pela União dos Sindicatos (SINSERPU-JF, SENGE, SINAGUA, SINPRO-JF e S
INDMED-JF), só pode votar quem comprovadamente é cadastrado no Plano – o que deu uma legitimidade maior às decisões tomadas, sem as possíveis interferências de terceiros, não usuários do plano, que poderiam, inclusive, usar o evento para politizar o assunto.
Não passou em branco, no entanto, o repúdio à equivocada manifestação da prefeita Margarida Salomão (PT), que em entrevista, sem nenhuma sensibilidade com o momento e com o calvário enfrentado pelas pessoas que precisam de cuidados médicos, desdenhou da importância do PAS-JF. “É uma coisa muito mal pensada, que alcança um número mínimo de pessoas. Não chega a onze mil vidas. Para qualquer Plano de Saúde isso é brincadeira”, disse ela. Os trabalhadores responderam. Na faixa exibida pelo SINSERPU-JF ( “11 mil vidas! Todas as vidas importam!”), e no registro de Deise Medeiros: “Não vamos fazer o mesmo discurso da prefeita. Independente do salário e da faixa etária, todas as vidas importam”.