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13/05/2025

13 de Maio: Não há liberdade onde a abolição é uma mentira

Hoje, 13 de maio, não é dia de comemoração. É dia de revolta. De denúncia. De lembrar que a falsa liberdade assinada em 1888 foi uma cortina de fumaça para esconder o projeto racista que ainda estrangula a população negra. A Lei Áurea não libertou: abandonou. Não reparou: escancarou feridas. Não incluiu: marginalizou. Passados 137 anos, o Brasil insiste em romantizar uma mentira histórica, enquanto nossos corpos seguem marcados pelos grilhões invisíveis do racismo estrutural.

A princesa Isabel não foi heroína. A abolição não caiu do céu. Foi arrancada a sangue, suor e lágrima pela resistência de quilombos, pela insurreição de mães, pais e filhos escravizados que desafiaram o açoite. Mas o Estado, temendo a verdadeira liberdade, trocou correntes físicas por algemas sociais: exclusão, pobreza, genocídio, encarceramento em massa e a mordaça que silencia nossas vozes. A liberdade prometida nunca chegou. Fomos jogados à própria sorte, sem terra, sem dignidade, sem direito à humanidade.

O lema da atual gestão do SINSERPU-JF “Re-existir, Re-construir, Re-nascer, Re-significar” não é só um grito — é um projeto político. Re-existir para enfrentar o racismo que nos persegue em cada esquina. Re-construir para ocupar espaços de poder e apagar as marcas coloniais das instituições. Re-nascer para honrar a ancestralidade que nos mantém de pé, mesmo quando o sistema quer nos ver de joelhos. Re-significar para lembrar que a verdadeira abolição só virá quando houver reparação, justiça e equidade.

Não há justiça social em um país que trata vidas negras como descartáveis. Não há democracia onde o preconceito determina quem vive e quem morre. O 13 de maio é símbolo de uma dívida histórica não quitada: as terras roubadas, os corpos explorados, os sonhos interrompidos pela violência de Estado. Enquanto houver um jovem negro morto pela polícia, uma empregada doméstica sem direitos, uma religião de matriz africana perseguida, a abolição seguirá inacabada.

Exigimos mais que memória: exigimos transformação. Que este dia não seja apagado, mas confrontado. Que cada “Re-” do nosso lema seja um passo na direção de um futuro onde a liberdade não seja privilégio, mas direito. A luta que começou nos navios negreiros e nos quilombos segue viva hoje, nas periferias, nas universidades, nas urnas e nas ruas. A abolição real virá pelas nossas mãos — e até lá, seguiremos em frente, porque nossa existência é resistência.

O SINSERPU-JF reafirma que abolição sem reparação é opressão. “Nossa liberdade não será negociada. Continuaremos na luta pelo fim dos grilhões invisíveis e em defesa da vida negra que resiste e floresce. Pela memória que dignifica, pela luta que liberta”.


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