Ausente do Carnaval de Juiz de Fora desde 2019 (há seis anos, portanto), o Bloco do Servidor voltou em grande estilo, desfilando no trajeto Parque Halfeld – Praça da Estação na noite desta sexta-feira (21 de fevereiro). O retorno triunfal apresentou vários marcos, todos dignos de nota:
– Era uma promessa de Campanha da então Chapa 2, que venceu as eleições no SINSERPU-JF em abril – e o samba enredo faz referência ao período de 23 anos “que só um grupo reinou” no Sindicato, até que a proposta de “Re-existir, renascer, reconstruir e resignificar” o sindicalismo saiu vitoriosa, “para renovar, sem iludir”;
– O Bloco abraçou a diversidade e trouxe, pela primeira vez na história dos blocos de Juiz de Fora, uma Rainha Trans, Mirella da Silva Ferreira – que dividiu a tarefa com a Rainha Cis, Gracinda Rosa Ribeiro;
– As duas bandeiras do SINSERPU-JF, que lembram os outros movimentos de inclusão do Sindicato ( LGBTQIA+, movimento negro, coletivo das mulheres e PCD) e abriram o desfile, foram conduzidas pelos casais de mestres-salas porta-bandeiras Aloísio (funcionário da Secretaria de Obras) e Bete (servidora do DAMOR aposentada), Bia Costa (funcionária da AMAC) e seu irmão Antônio Benício;
– O samba-enredo “Quem Faz o Serviço é o Servidor” (composto por Lupércio e Mestre Caio e interpretado por Coxinha) fez alusão à Campanha Salarial 2025 dos servidores públicos municipais, cujo mote é “Quem cuida desta cidade sou eu” – lembrando a importância do funcionalismo e a urgente necessidade de valorização: “Quem faz o serviço é quem ama/SINSERPU-JF é a luta da igualdade/O Sindicato sou eu e você/E o servidor com dignidade”.
– Os abadás foram vendidos com o acréscimo de 1kg de alimento não perecível (exceto fubá e sal), que serão doados a instituições de caridade – evidenciando o caráter solidário do Bloco do Servidor;
– Nestes abadás, históricos, constavam as mensagens políticas, bem tradicionais no Carnaval. De um lado, referências a “Caixa de Pandora” municipal: desmonte do serviço público, precarização, privatização, escala 6×1, fim das carreiras, fim do DAMOR, assessor I e II e a contratualização; do outro lado, o jabuti – que representa a prática, bastante comum no Poder Legislativo, de “enfiar” um artigo estranho e alheio ao tema em algum projeto de lei: “Jabuti não sobe em árvore. Se está lá, ou foi enchente ou foi mão de gente”.
Outros fatores contribuíram para o enorme sucesso do Bloco: a Bateria Ritmo Quente, comandada pelo Mestre Caio; a surpresa da “paródia dos servidores” apresentada por Débora Brígida Ferreira dos Santos (que trabalhou seis anos como contratada do DEMLURB e agora se prepara para ser servidora efetiva, pois passou no último concurso); o apoio recebido (da “Clínica Família Mais”, da “APOE” e do “Núcleo Saúde”); o empenho de toda a diretoria do SINSERPU-JF, e principalmente a adesão dos servidores, que abrilhantaram essa celebração em defesa da categoria e da alegria do Carnaval, que não diminuiu nem mesmo com a chuva que caiu, ainda na concentração do Bloco.
Sobre as metáforas políticas do desfile, o vice-presidente do SINSERPU-JF, Weber Wagner registrou que a “caixa de Pandora” também remete a um momento histórico em que a administração tentou implementar uma reforma administrativa que prejudicaria o funcionalismo público sob o pretexto de um plano de carreira – . Essa é a referência ao “jabuti”.
De acordo com o diretor, uma das principais bandeiras da esquerda, da qual ele se considera integrante, é a “de não permitir que as lutas de classe sejam apagadas da história, mas mantê-las vivas na memória coletiva para evitar que eventos semelhantes e indesejados se repitam”.
Ele cita como exemplo os anos de chumbo da ditadura militar brasileira, que, por não terem sido devidamente julgados e responsabilizados, quase ressurgiram com os últimos atos golpistas iniciados após o impeachment da presidenta Dilma Rousseff e que culminaram nos eventos do 8 de janeiro de 2023.
“O samba-enredo”, continua Weber Wagner, “por sua vez, é uma manifestação dos servidores públicos em busca de melhores condições de vida e trabalho no Brasil, refletindo sobre as condições laborais de toda a sociedade e destacando que ‘quem faz o serviço é o servidor!'”.
Já para a presidenta do SINSERPU-JF, Deise Medeiros, o desfile “trouxe à luz a alegria, irreverência carregada de crítica a política adotada nos últimos anos para com o servidor municipal, que é responsável por entregar o serviço para a cidade”. E, acrescenta ela, “nós precisamos reforçar que quem faz o serviço é o servidor”.
Deise Medeiros conclui: “Agora é momento de fazer uma nova história. Todos os dias estamos construindo uma nova história. Que as esquerdas em 2025 construam um marco histórico positivo para os servidores municipais”.
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